Como escolher o protetor solar ideal para a sua pele
Você já deve ter ouvido falar que o uso do protetor solar é obrigatório todos os dias, mesmo em dias nublados, com chuva ou sol. Mas, quando chega na prateleira, a quantidade de opções é tanta que fica fácil se sentir perdida. FPS 30, 50 ou 60? Com cor, sem cor, físico, químico, sérum, creme, stick, spray… Cada embalagem parece prometer ser a melhor, mas será que existe mesmo “o” protetor solar perfeito?
Vamos entender essas diferenças e descobrir como escolher um protetor solar que realmente funcione para você e que se encaixe de forma prática nos seus cuidados diários.
Por que o protetor solar é indispensável?
O protetor solar não serve só para prevenir queimaduras na praia. Ele protege contra os dois tipos de radiação ultravioleta que mais afetam a pele:
- UVA: penetra profundamente, acelera o envelhecimento, causa manchas e aumenta o risco de câncer de pele.
- UVB: atua mais na superfície, causa vermelhidão, queimaduras e também contribui para o câncer de pele.
O detalhe que pouca gente comenta é que a radiação UVA atravessa vidros. Isso quer dizer que, mesmo dentro do carro, aquela luz solar que esquenta seu braço enquanto dirige pode favorecer o surgimento de manchas, acelerar o envelhecimento da pele e, a longo prazo, elevar o risco de câncer de pele.
Para entender o impacto da exposição acumulada, lembro de um estudo que vi na época do curso técnico, antes mesmo de imaginar que faria uma graduação. Ele comparava duas irmãs gêmeas idênticas: uma morava e trabalhava no campo, sob sol constante e sem uso de protetor solar; a outra vivia na cidade, com menos exposição direta. A diferença no nível de envelhecimento da pele entre elas era marcante. Esse tipo de evidência mostra que, mesmo sem queimaduras, a radiação solar transforma a pele com o passar dos anos.
Com cor ou sem cor?
Com cor: contém pigmentos no tom de base, ajuda a uniformizar a pele e pode substituir a maquiagem leve. Além da proteção contra UVA e UVB, cria uma barreira mais eficiente contra a luz visível, que pode agravar manchas e melasma, e reduz parte do impacto da luz azul emitida por telas e iluminação artificial.
Sem cor: protege contra UVA e UVB e, dependendo da formulação, pode oferecer alguma proteção contra a luz visível se contiver filtros minerais não micronizados (como dióxido de titânio e óxido de zinco). Já as versões com minerais micronizados ou apenas filtros químicos praticamente não bloqueiam essa radiação.
Entendendo FPS e PPD
O FPS indica o tempo de proteção contra a radiação UVB. Funciona assim: se a sua pele ficaria vermelha em 10 minutos sem protetor, um FPS 30 multiplicaria esse tempo por 30, chegando a 300 minutos. Só que essa conta é teórica e não considera suor, atrito, contato com água ou aplicação insuficiente. Por isso, reaplicar é fundamental.
O PPD mede a proteção contra os raios UVA, relacionados ao envelhecimento da pele e ao risco de câncer. O recomendado é que seja, no mínimo, um terço do FPS.
Por exemplo: se o protetor tem FPS 50, o PPD ideal é de no mínimo 17. Alguns produtos indicam o PPD, outros usam a classificação PA+, em que quanto mais sinais de “+”, maior a proteção contra UVA.
Na prática, procure sempre protetores de amplo espectro e dê preferência a FPS 30 ou mais para uso no dia a dia. Se for se expor ao sol por tempo prolongado, como em atividades ao ar livre ou praia, FPS 50 ou mais, costuma ser mais indicado.
Filtro físico, químico ou híbrido?
Físico (mineral): utiliza óxido de zinco e/ou dióxido de titânio, que atuam refletindo e dispersando parte da radiação UV. É aquele que costuma deixar a pele mais esbranquiçada, como os usados por bebês ou surfistas. No dia a dia, não fica tão branco, mas também não é invisível. Muitas versões vêm com cor de base para ajudar na uniformização.
Químico: absorve a radiação ultravioleta e a converte em uma forma de energia inofensiva para a pele, que pode ser liberada como calor suave ou luz de comprimento de onda seguro.
Híbrido: combina filtros físicos e químicos na fórmula, podendo ser branco ou com cor que se adapta ao tom da pele. Essa mistura traz a proteção ampla com mais conforto de textura.
Não existe melhor absoluto. O importante é escolher o que você tolera bem e que tenha a textura que mais agrada.
Formatos e texturas
- Creme: mais hidratante, indicado para peles secas.
- Gel ou sérum: possui textura leve, sendo uma boa opção para peles oleosas ou propensas à acne.
- Pó: ideal para reaplicar ao longo do dia por cima da maquiagem.
- Spray: prático para reaplicação em áreas amplas e também útil para proteger o couro cabeludo, especialmente em casos de queda ou alopecia. É importante espalhar com as mãos para garantir cobertura uniforme.
- Stick: oferece praticidade, aplicação localizada e sem necessidade de usar as mãos.
O protetor solar deve ser aplicado sempre depois do hidratante e antes da maquiagem.
Protetor solar corporal
Quando falamos em protetor solar, muita gente só pensa no facial, mas o corpo também sofre com os danos da radiação ultra violeta. Braços, colo, mãos, orelhas e até pernas ficam expostos diariamente, mesmo em trajetos curtos. Essa exposição acumulada também causa manchas, envelhecimento precoce e aumenta o risco de câncer de pele.
No dia a dia, um protetor corporal com FPS 30 já oferece boa proteção, desde que reaplicado em exposições prolongadas. Prefira fórmulas mais fluidas para espalhar com facilidade e que não deixem a pele pegajosa.
Na praia, piscina ou durante atividades físicas ao ar livre, o ideal é usar FPS 50 ou 60, com resistência à água e ao suor. O uso é indispensável mesmo que você permaneça sob guarda-sol ou na sombra, pois a areia e a água refletem os raios solares. Use uma boa quantidade e reaplique a cada duas horas, ou sempre que entrar na água ou suar em excesso.
Não esqueça das áreas esquecidas: pés, parte de trás das pernas, orelhas e nuca. Esses pontos são frequentemente negligenciados e acabam acumulando mais danos ao longo dos anos.
E o debate sobre protetor solar causar ou prevenir câncer?
Existe um consenso médico robusto de que o uso regular do protetor solar ajuda a reduzir o risco de câncer de pele, especialmente os tipos mais comuns, como carcinoma basocelular e espinocelular. No entanto, alguns filtros químicos, como a oxibenzona e o octinoxato, já foram questionados por seu potencial de absorção pela pele e possíveis efeitos hormonais em estudos laboratoriais.
Essas pesquisas levantam hipóteses, mas ainda não comprovam risco real em humanos. Na prática clínica, os benefícios da proteção solar superam de longe quaisquer riscos teóricos. Para quem prefere evitar essas substâncias, existem protetores minerais e fórmulas livres desses componentes, que mantêm segurança e eficácia.
Como usar corretamente
- Quantidade: no rosto, cerca de meia colher de chá. No corpo, uma colher de sopa para cada braço e perna, e mais para tronco e costas.
- Reaplicação: a cada duas horas, ou antes se transpirar muito ou entrar na água.
- Sobre maquiagem: opções em pó com FPS e sprays ajudam a reaplicar sem remover o make.
Conclusão
Protetor solar é cuidado com saúde. É prevenção, proteção e um dos passos mais importantes para manter a pele saudável ao longo dos anos.
Quer se aprofundar ainda mais nos cuidados? Aqui no blog já falei sobre câncer de pele e sinais de alerta e também sobre fotoenvelhecimento, com estudos que mostram o impacto da radiação no envelhecimento precoce. Vale a leitura para complementar sua proteção.
Angella Heringer, esteticista, pós-graduada em tricologia, práticas integrativas e em aromaterapia.

Tenho filtro solar com cor e raramente uso… Um erro que agora não cometerei mais, graças a essa matéria. GRATA!
Oi, Taís! Que bom saber que a matéria te ajudou! Filtro solar com cor é maravilhoso, né? Protege e ainda dá aquela uniformizada na pele. Fico muito feliz em saber que agora ele vai fazer parte da sua rotina! Beijo e obrigada pelo carinho!