Seu cabelo caiu depois da bariátrica?
Muita gente que faz bariátrica se assusta com a queda de cabelo que aparece alguns meses depois da cirurgia. E não é pouca coisa, não. Às vezes é desesperador ver cair cabelos no ralo do banheiro, no travesseiro, pela casa, na escova… Eu sei, é horrível. Mas isso tem explicação e tem solução.
O nome técnico disso é eflúvio telógeno, um tipo de queda que acontece quando o corpo passa por algum estresse intenso. E sim, cirurgia é um baita estresse. Ainda mais uma que envolve mudanças grandes na alimentação, nos hormônios e na absorção de nutrientes. É como se o organismo dissesse: “vou poupar energia, e o cabelo vai esperar”.
Coração, cérebro, pulmão… o couro cabeludo pode esperar. Como eu sempre digo para os meus pacientes: ninguém morre por conta do cabelo ou por falta de cabelo. A prioridade do corpo é levar os nutrientes para o que mantém a vida. Ou seja, o foco é manter você viva, não manter o cabelo.
Nem toda bariátrica é igual
Antes de falar das causas da queda de cabelo, é importante entender que existem três tipos de procedimentos diferentes que costumam ser chamados de bariátrica, mas cada um deles age de um jeito no corpo:
- O balão intragástrico, que não é uma cirurgia, é apenas a colocação de um balão dentro do estômago por endoscopia. Ele ocupa espaço e reduz a fome, mas não altera a absorção de nutrientes.
- A gastrectomia vertical (ou sleeve), onde uma parte do estômago é retirada. A pessoa passa a comer bem menos, mas o intestino continua funcionando normalmente.
- O bypass gástrico, que é uma cirurgia mais complexa. Nela, o estômago fica bem menor e parte do intestino é desviada, o que acaba impactando diretamente a absorção de nutrientes.
Essas diferenças explicam por que a queda de cabelo após bariátrica varia tanto de pessoa para pessoa. E toda mudança brusca no corpo pode refletir nos fios.
Queda de cabelo após bariátrica: por que isso acontece?
Não é só estresse cirúrgico. Nem só falta de vitamina. O que acontece é que, dependendo do tipo de procedimento, o corpo pode sofrer de duas formas: pela baixa ingestão e pela má absorção de nutrientes.
No caso do balão e da gastrectomia, o intestino continua funcionando normalmente, mas a quantidade de comida ingerida é bem menor, e por consequência, a ingestão de proteínas, vitaminas e minerais também. Já no bypass, além de comer menos, parte do intestino é desviada, o que atrapalha a absorção. Ou seja, o corpo recebe pouco e aproveita ainda menos.
E quando isso acontece, o organismo se reorganiza. Os poucos nutrientes disponíveis são direcionados para os órgãos vitais. O cabelo não é prioridade. Nem a pele. Nem as unhas.
Então a queda acontece porque o corpo está tentando se manter de pé. E essa perda pode vir associada a outras mudanças: pele mais seca, unhas mais fracas, cansaço, tontura. Por isso é tão importante olhar o todo e não só os cabelos.
É só uma fase ou é pra sempre?
Na maioria dos casos, é passageira. A queda costuma começar entre o terceiro e o sexto mês após a cirurgia, e pode durar até um ano. Se houver uma boa orientação nutricional e o corpo começar a se equilibrar, os fios voltam a crescer. Mas se não houver esse cuidado, a queda pode se arrastar ou até se agravar com o tempo.
Por isso, mesmo que você esteja só “esperando passar”, é bom investigar se há alguma carência específica e, principalmente, se o couro cabeludo está saudável o suficiente para receber esses fios de volta.
Como prevenir ou minimizar a perda de cabelo
Não existe uma fórmula mágica, mas alguns cuidados fazem toda diferença:
- Mantenha o couro cabeludo limpo e saudável.
Use shampoos suaves, que não causem irritação ou oleosidade excessiva. Um couro cabeludo inflamado atrapalha ainda mais o ciclo capilar. - Evite químicas fortes nessa fase.
Progressiva, colorações muito agressivas e até descoloração podem inflamar ou sensibilizar a raiz, piorando o quadro. - Use produtos que estimulem o couro cabeludo.
Tônicos e shampoos com ativos como cafeína, óleos essenciais, fitoterápicos, podem ajudar, desde que não irritem a pele.
Aqui no blog tem um artigo com as plantas mais usadas em shampoos e tônicos para queda de cabelo. Vale a leitura. - Faça acompanhamento com terapeuta capilar, se possível.
Uma boa avaliação identifica o tipo de queda, a saúde do couro cabeludo e ajuda a montar protocolos personalizados. - Procure seu nutricionista ou médico para investigar e suplementar.
Sozinha, nenhuma loção ou shampoo vai resolver se seu corpo não tiver matéria-prima para reconstruir os fios. Na minha opinião, quando se faz esse tipo de cirurgia, a suplementação se torna necessária. O corpo não vai dar conta sozinho. E essa reposição precisa ser feita com orientação e exames.
Mas essa queda vai passar?
Isso varia. Algumas pessoas conseguem retomar o crescimento em poucos meses, outras demoram mais. A questão é: se o seu intestino não está mais funcionando da mesma forma, ele não vai voltar ao que era antes. Então, cuidar da sua alimentação e manter o acompanhamento com bons profissionais será uma necessidade contínua, e não só temporária.
Se você está passando por queda de cabelo após bariátrica, não se desespere. O cabelo vai cair, sim. Mas vai voltar. Com os cuidados certos, com orientação e paciência, ele volta. E volta bonito.
Se quiser dicas sobre fortalecimento capilar, aqui no blog outros conteúdos e um especial sobre o tônico que eu uso.
É só digitar tônico capilar no campo de busca do site:
Angela Heringer, esteticista, pós-graduada em tricologia, práticas integrativas e em aromaterapia.
