O que ninguém te conta sobre a transição capilar
Quem pensa que transição capilar é só sobre cabelo, está muito enganada e posso provar. Nasci com cabelos lisos, loiros escuros e finos. Na adolescência eles continuaram finos, porém bem cacheados e mais escuros.
Como a maioria das mulheres eu não me identificava com a imagem no espelho. Logo, aos poucos fui tentando clarear com misturas caseiras, como leite e água oxigenada 10 vol. Chá de camomila e não podia faltar a boa touca de meia calça para alisar. Até que tomei coragem e me entreguei às químicas de corpo e alma.
Mantive progressiva e luzes por mais de 15 anos. E mesmo com alopecia androgenética, conseguia cuidar dos fios, do couro cabeludo, manter tudo equilibrado. Meu cabelo era comprido, bonito, e fazia parte da minha identidade.
Até que, um dia, a profissional que cuidava do meu cabelo há mais de dez anos fez um curso e investiu em uma progressiva nova, de marca famosa, cara, e por trás um cabeleireiro de celebridades. O rótulo do produto e o famoso garantiam a compatibilidade com todas as químicas.
E mesmo eu reforçando, como sempre, que cabelo com luzes não é compatível com progressiva ácida, ela não se atentou à fórmula. Confiou na marca, no nome e no rótulo. O marketing dessas marcas é muito convincente.
Dias depois, meu cabelo começou a mudar a tonalidade das luzes, ressecou, afinou e quebrou. Foi uma sequência de perdas. Minha única opção era tratar o que restou e cortar o que não tinha mais jeito. Mas a vontade era de raspar a cabeça e começar do zero.
E além da frustração estética, veio o peso emocional. Afinal, como pode uma tricologista e terapeuta capilar, que sempre teve o cabelo como vitrine, passar por isso? O que as pessoas pensariam? Como confiar numa profissional que perdeu o próprio cabelo?
Se você está passando por algo parecido, esse texto é pra te ajudar.
Ou, se está pensando em iniciar sua transição capilar, aqui pode encontrar um caminho mais leve pra atravessar esse processo.
1. Cortar é difícil, mas adiar só piora
Tem gente que insiste em segurar as pontas, achando que vai conseguir salvar o comprimento. Mas a verdade é que isso só prolonga o sofrimento. O cabelo vai quebrando aos poucos, fica desalinhado, com partes mais curtas, outras esticadas, parecendo até transição dentro da transição.
Além disso, esse tipo de fio exige uma carga absurda de produto. Máscaras caras, finalizadores, óleos… tudo pra tentar maquiar o estrago. E é isso mesmo: maquiagem.
Quando a fibra capilar está danificada por química e principalmente quando envolve mais de uma, como no meu caso, com descoloração e alisamento, não existe reconstrução que devolva aquele fio ao estado original.
O que muitos profissionais não falam, com medo de perder venda, é que nada do que a gente aplica nesse cabelo devolve estrutura de verdade. Só melhora o visual enquanto você está usando. Parou de aplicar? O cabelo volta pro estágio de antes ou pior.
Por isso, o mais honesto a se dizer é: o ideal é cortar. Mas se você, assim como eu, se identifica com o cabelo longo, dá pra ir aos poucos. O importante é entender que essas pontas com química estão interferindo na estética, na sua autoestima e fazendo você gastar mais com produtos.
Tem gente que precisa de um corte mais agressivo logo no início, e tudo bem. Mas se não for o seu caso, respeite o seu tempo, desde que o corte aconteça, mesmo que devagar.
Porque não adianta continuar gastando com produto caro tentando recuperar o que não tem mais volta. Essa parte danificada permanecerá danificada. Os cosméticos vão melhorar em partes o sensorial, a aparência, mas recuperar literalmente, não vai.
Por isso, quanto antes você começar a cortar, mesmo que aos poucos, melhor. Assim, vai eliminando o que não tem mais salvação e cuidando do que realmente tem chance de crescer saudável.
2. Estimule o crescimento durante a transição capilar
Não adianta esperar crescimento rápido sem oferecer o básico para o folículo piloso ou a “fábrica de cabelos” funcionar bem.
Um segredinho: Não existe acelerar o crescimento capilar. O que a gente faz é criar condições para que o couro cabeludo trabalhe como deveria. O crescimento dos fios é determinado geneticamente. Ou seja, se o seu cabelo está programado pra crescer 1 centímetro por mês, é isso que ele vai fazer. Se for 1,5 cm, ótimo. Mas isso não vai mudar só porque você passou um tônico ou fez um cronograma capilar.
O papel dos tônicos e dos estímulos não é fazer milagre. É fortalecer o que está nascendo, equilibrar o couro cabeludo e, principalmente, evitar que esse crescimento natural seja prejudicado. Ou seja, normalizar, deixar o ambiente favorável para a fábrica de cabelos trabalhar a todo vapor.
Quando o couro cabeludo está inflamado, o que pode acontecer por vários motivos, como alimentação, estresse, uso de química, acúmulo de resíduos ou questões hormonais. O ciclo capilar se desregula. E aí o cabelo que deveria estar crescendo entra na fase de queda antes da hora. Por isso, estimular é importante, mas acalmar e desinflamar também é.
É algo que eu sempre reforço: Fez progressiva ou descoloração? Procure um tratamento logo em seguida pra ajudar o couro cabeludo a se recuperar.
Nem tudo é sobre estimular o crescimento. Às vezes, é preciso cuidar da inflamação antes de qualquer coisa. Esse cuidado é essencial durante a transição capilar.
E aqui entra um ponto importante: não dá pra fazer isso sem uma orientação profissional. Um terapeuta capilar ou um tricologista vai saber identificar se o couro cabeludo está saudável, inflamado, com descamação ou com alguma disfunção que esteja afetando o crescimento. Com os cuidados certos, seus cabelos voltam a crescer como foram programados de fábrica. Ou melhor, geneticamente.
3. Transição capilar também mexe com o emocional
Para mim, a transição não veio sozinha. Eu já estava passando por problemas emocionais, e a perda do cabelo só piorou as coisas. Pode parecer besteira pra quem olha de fora, mas pra quem está no meio do furacão, é muita coisa ao mesmo tempo.
O cabelo que antes estava bonito, longo, loiro e liso, de repente virou motivo de vergonha, de estranhamento. E olha que já se passaram quase três anos.
Hoje meu cabelo não tem mais partes lisas, mas apesar de ter cachos bonitos, não me identifico mais com eles. Preciso ser forte, porque ainda não chegou o momento de voltar a alisar. Mas confesso: estou muito tentada a isso.
Como profissional, eu preciso dizer: alisamento e descoloração envolvem riscos. Não são procedimentos inofensivos, principalmente pra quem tem alopecia ou já passou por um corte químico. Mas como mulher, eu entendo que nada disso pesa mais do que o jeito que você se enxerga. Não é sobre agradar os outros, nem seguir tendência. É sobre o que você sente quando se vê no espelho.
Por isso, eu nunca vou impor nada aqui no blog. Meu papel é falar a verdade, com base na experiência e na ciência, mas sempre respeitando o seu livre-arbítrio e como você se identifica.
Você decide se quer continuar cacheada, voltar a alisar, mudar de cor ou de textura. Mas é importante entender que o como você quer o seu cabelo é decisão sua. Já o quando fazer uma transformação química precisa ser avaliado com critério, por um profissional sério. Não adianta agir no impulso se o couro cabeludo ainda está sensível, ou se o fio não tem estrutura pra suportar outra química.
4. É preciso ter paciência
Falam muito que é preciso ter paciência. Mas ninguém fala como ter. E quem está no meio da transição sabe: não é fácil lidar com raiz crescendo de um jeito, ponta de outro, frizz, volume, falta de definição, quebra, queda…
A vontade, muitas vezes, é voltar pros processos de alisamento e dar fim a tudo isso. Mas é importante lembrar: alisamento não é tratamento. Ele modifica a estrutura do fio, mas não resolve o que está por trás e pode piorar se o cabelo ainda estiver fragilizado.
Pra segurar o emocional nessa fase, o ideal é encontrar estratégias que te ajudem a lidar com a imagem no espelho. Coques, rabos de cavalo, lenços, tranças mais soltinhas ou até apliques leves podem ajudar, desde que não sobrecarreguem os fios.
Hoje existem rabos de cavalo sintéticos super práticos, que dão volume e escondem o que está te incomodando, mas precisam ser usados com responsabilidade. Se o seu cabelo está muito fino, com pouco volume ou em fase de queda, vale conversar com um terapeuta capilar antes de usar qualquer acessório com peso. O ideal é aliviar o emocional sem comprometer o que está nascendo.
Paciência, nesse caso, é isso: continuar cuidando, mesmo sem se identificar com o visual atual, mas encontrando formas de atravessar essa fase com menos sofrimento.
5. Busque sempre orientação profissional
Durante a transição capilar, é comum querer fazer tudo de uma vez: hidratação, nutrição, reconstrução, umectação…
Mas o que muita gente esquece é que nem sempre o cabelo precisa de tudo isso.
E usar o tratamento errado, no momento errado, pode até piorar a situação. O ideal é que um profissional avalie as condições do seu cabelo e monte um plano de cuidados personalizado.
Às vezes, seu cabelo precisa de um mês inteiro focado em nutrição. Em outros casos, ele ainda não está preparado para uma reconstrução intensa, ou para o peso de certos óleos usados na umectação. Isso só dá pra saber com uma boa avaliação.
Se você não tiver condições de seguir esse tratamento no salão, tudo bem. Mas tente, pelo menos, passar por uma consulta com alguém de confiança. Explique a situação, mostre como está o seu cabelo, e esse profissional vai te orientar sobre o que ele realmente precisa agora.
A partir daí, dá pra montar uma rotina em casa, com mais segurança. Mais importante do que seguir etapas de um cronograma engessado é entender o que o seu cabelo está pedindo. E isso só quem entende de cabelo pode ajudar a identificar.
E depois disso tudo?
Seja por necessidade ou simplesmente por querer voltar aos fios naturais, a transição capilar é desafiadora e não acontece da noite pro dia. O importante é que essa escolha seja sua. Não por moda, nem por pressão. É sobre se sentir bem com você mesma.
Ah, e tem uma sinergia natural que eu mesma uso até hoje no couro cabeludo. Deixei o passo a passo aqui no blog caso você queira experimentar: Veja a sinergia que eu uso como tônico natural para o couro cabeludo
Se você está passando por esse processo, deixa aqui nos comentários a sua experiência. Vai ser um prazer trocar com você.
E se esse texto fez sentido pra você, compartilha com alguém que também esteja enfrentando essa fase. Às vezes, é exatamente o que ela precisa ler pra não desistir.
Angela Heringer, esteticista, pós-graduada em tricologia, práticas integrativas e em aromaterapia.

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Taís Pereira
Serpente e meu signo, que esse ano seja…
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